A Cartomante
por Machado de Assis
Sobre Este Livro
A Cartomante é um conto de Machado de Assis publicado em 1884 na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro. Num Rio de Janeiro de 1869, Camilo e Rita vivem um caso amoroso às escondidas do marido dela, Vilela — amigo de infância de Camilo. Quando cartas anônimas ameaçam expor a traição, Rita recorre a uma cartomante para acalmar os medos. Camilo, cético, zomba da superstição — até o dia em que, convocado às pressas pelo próprio Vilela, sucumbe ao mesmo impulso e consulta a vidente. A ironia trágica do desfecho é uma das mais devastadoras da literatura brasileira.
A narrativa se passa em novembro de 1869, no Rio de Janeiro imperial. Vilela, Camilo e Rita formam um triângulo de afetos e lealdades rompidas: Vilela é o marido advogado, Camilo o amigo de infância que se tornou amante de Rita. O equilíbrio instável desse arranjo é perturbado por cartas anônimas que denunciam o adultério, levando primeiro Rita e depois o próprio Camilo — que zombava abertamente das superstições — a consultar a mesma cartomante italiana da Rua da Guarda Velha. A vidente garante que não há perigo; Camilo parte tranquilo para a casa de Vilela. O último parágrafo desfaz tudo: Rita jaz morta no canapé, e Vilela assassina o amigo com dois tiros.
O conto abre com uma das epígrafes mais célebres da literatura nacional — a fala de Hamlet a Horácio sobre as coisas que a filosofia não sonha —, e constrói toda a sua tensão em torno do conflito entre razão e crença, ceticismo e superstição. A ironia machadiana atinge aqui seu ponto mais cruel: é precisamente ao abandonar o ceticismo e ceder à cartomante que Camilo encontra a morte que a vidente prometeu não existir. A ciência não salva; a fé tampouco. O destino opera à revelia de ambas.
Adaptado para o cinema em 1974 (dir. Marcos Farias) e em 2004, transformado em ópera por Jorge Antunes em 2014 e convertido em romance gráfico pela Escala Educacional, o conto permanece presença obrigatória nos currículos escolares brasileiros e é reconhecido pela crítica internacional como um dos exemplos mais refinados do conto realista oitocentista.
Citações Famosas
"Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia."— Machado de Assis (Página 1)
"Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura e nenhuma explicação das origens."— Machado de Assis (Página 2)
"A melhor cartomante era ele mesmo."— Machado de Assis (Página 4)
Perguntas Frequentes
A Cartomante narra a história de um triângulo amoroso no Rio de Janeiro de 1869: Camilo e Rita vivem um caso às escondidas do marido dela, Vilela, amigo de infância de Camilo. Quando cartas anônimas ameaçam revelar a traição, Rita consulta uma cartomante italiana para se tranquilizar. Camilo, cético e racional, critica a atitude da amante — até receber um bilhete urgente de Vilela e, tomado pelo medo, recorrer ele mesmo à vidente. A cartomante garante que nada de ruim acontecerá. Camilo parte aliviado, mas ao entrar na casa do amigo depara com Rita assassinada e leva dois tiros de Vilela, também morrendo no chão. O desfecho é uma das ironias mais cortantes da literatura brasileira: a crença na cartomante não salvou ninguém — e pode ter selado o destino de Camilo.
O tema central de A Cartomante é o conflito entre razão e superstição — e a ironia de que nenhuma das duas oferece proteção real contra o destino. Machado de Assis, que em suas crônicas frequentemente zombou de videntes e cartomantes, subverte a lógica esperada: não é a crédula Rita, mas o cético Camilo que perece exatamente por ceder à superstição no momento decisivo. O conto também é uma sátira à hipocrisia da sociedade burguesa do século XIX, ao adultério disfarçado de amizade e à fragilidade das convicções humanas sob pressão. A epígrafe de Hamlet — sobre as coisas que a filosofia não sonha — não é um elogio ao misticismo, mas uma ironia: nem a razão nem a fé salvam os personagens de si mesmos.
A Cartomante é um conto — gênero no qual Machado de Assis é considerado um dos maiores mestres da literatura em língua portuguesa. Foi publicado pela primeira vez na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1884. Mais de uma década depois, o autor o incluiu na coletânea Várias Histórias (Laemmert & C., 1896), ao lado de outros contos célebres como A Causa Secreta, Uns Braços e O Enfermeiro. Desde então, tornou-se um dos textos mais reproduzidos em antologias escolares e universitárias do Brasil.
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