Citações Famosas
"Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia."— Machado de Assis (Página 1)
"Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura e nenhuma explicação das origens."— Machado de Assis (Página 2)
"A melhor cartomante era ele mesmo."— Machado de Assis (Página 4)
Perguntas Frequentes
A Cartomante narra a história de um triângulo amoroso no Rio de Janeiro de 1869: Camilo e Rita vivem um caso às escondidas do marido dela, Vilela, amigo de infância de Camilo. Quando cartas anônimas ameaçam revelar a traição, Rita consulta uma cartomante italiana para se tranquilizar. Camilo, cético e racional, critica a atitude da amante — até receber um bilhete urgente de Vilela e, tomado pelo medo, recorrer ele mesmo à vidente. A cartomante garante que nada de ruim acontecerá. Camilo parte aliviado, mas ao entrar na casa do amigo depara com Rita assassinada e leva dois tiros de Vilela, também morrendo no chão. O desfecho é uma das ironias mais cortantes da literatura brasileira: a crença na cartomante não salvou ninguém — e pode ter selado o destino de Camilo.
O tema central de A Cartomante é o conflito entre razão e superstição — e a ironia de que nenhuma das duas oferece proteção real contra o destino. Machado de Assis, que em suas crônicas frequentemente zombou de videntes e cartomantes, subverte a lógica esperada: não é a crédula Rita, mas o cético Camilo que perece exatamente por ceder à superstição no momento decisivo. O conto também é uma sátira à hipocrisia da sociedade burguesa do século XIX, ao adultério disfarçado de amizade e à fragilidade das convicções humanas sob pressão. A epígrafe de Hamlet — sobre as coisas que a filosofia não sonha — não é um elogio ao misticismo, mas uma ironia: nem a razão nem a fé salvam os personagens de si mesmos.
A Cartomante é um conto — gênero no qual Machado de Assis é considerado um dos maiores mestres da literatura em língua portuguesa. Foi publicado pela primeira vez na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1884. Mais de uma década depois, o autor o incluiu na coletânea Várias Histórias (Laemmert & C., 1896), ao lado de outros contos célebres como A Causa Secreta, Uns Braços e O Enfermeiro. Desde então, tornou-se um dos textos mais reproduzidos em antologias escolares e universitárias do Brasil.
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